quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Estamos em constantes obras: recomeço com direito a dia de gala e de galinhas, de prefeita e de coisas pra inglês ver

Foi nesta segunda-feira, 20 de outubro, o Jardim Itaú finalmente recebeu a visita de interessados e interesseiros, gente interessante de todo tipo, para o que será a implantação de obras finais de pavimentação asfáltica e ampliação na rede das galerias pluvias e de esgoto, além das longamente aguardadas praças que há muito jaziam no papel.
E foi num destes futuros equipamentos públicos, a praça diante das vias Madre Teresa de Calcutá e Jirges Ristum, que se fez o quase palanque para o lançamento das obras com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento, repassados via CORPAC, que finalmente, contemplaram o bairro.
Já no sábado anterior, 18/10, cedinho, ao amanhecer, máquinas e "homens trabalhando", trataram de eregir vistosa placa oficial com detalhes da aguardada realização nesta e outra, igualzinha, na supostamente principal área institucional, a praça de entrada ao bairro, diante do poço da Daerp, ainda com seu cercado sem a devida recuperação, desde que um temporal que deve remontar à abril já, derrubou uma portentosa árvore.
Mas, eis que o cenário estava pronto na praça mais acima: figuras, figurinos, figurantes, veículos de grande porte, os assessores e a assessoria de sempre. Até viatura da Base Comunitária, ou seja, a Guarda Civil Municipal, estava lá. Umas 40 pessoas ou 50, contando os operários da empreitada. O bairro nunca foi tão prestigiado pela administração pública local.
Hoje, dois dias depois, não havia mais que 2 ou 3 trabalhadores na manhã desta quarta-feira. Chegaram só num desses ônibus de linhas urbanas, cujos destinos reservam-lhes Borrowed Time como transporte de "pau-de-arara", que é, no linguajar interiorano, quem trampa na roça. Esse busão "rural", no caso, é da empreiteira vencedora da licitação e estranhamente, mostra na testeira de destinação, a linha 102, com identificação "Faculdade Medicina". Vão curar o bairro, é essa a sugestão? Entretanto, todo aquele barulhão obreiro de anteontem, cadê? Se foi só um atrasinho, de muitos que ainda virão, bem. Senão, é bom já anotar o nome da empresa que consta nas duas placas e começar a cobrá-la. Mais que isso, acompanhar o que farão, pois, a exemplo da outra que fez as etapas anteriores do asfaltamento, se não houver rédea curta da observação do que executarão, muita coisa errada e sem a apropriada resolução ainda está para acontecer.
Aqui fica o desejo de que nada comprometedor acometa o bairro, ao fim e ao bom cabo. Fica a esperança. Não é pessimismo não, já que aves de mau agouro não gorjeiam por aqui. É só a história, do Jardim Itaú e das obras públicas em Ribeirão Preto, bem como em outras cidades que sabemos, as trajetórias que não devemos permitir que se repitam. Uma historiografia típica brasileira que relutamos a mudar. Então, que aquelas almejadas praças venham, que se tornem cheias de graça, com ou sem as PrimaVeras, até com galinhas de Angola ou com as ornamentações que forem, para no futuro, até ingleses virem pra cá com vontade de aqui povoar.

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